“Descaso” nas preliminares

Atendendo ao pedido da minha cara amiga, escritora neste blog, que ouviu esta história com todas as ênfases e emoções possíveis, venho contar uma das peripécias que aconteceu ao longo da minha juventude que dura até hoje aos meus 38 anos de idade.

Numa noite entediada em que passeava pela bela cidade de Goiânia tentando fugir aos programas habituais após o expediente, não consegui encontrar nada de interessante e decidi ir direto pra casa.

Ao chegar nas proximidades, avistei uma feirinha…minhaFoto (1)Que estava montada no nosso campinho de futebol e parecia movimentada… vivendo toda a minha infância por aquelas bandas, posso garantir que até os cães da rua me conhecem e os que habitam as casas também… Ao enxergar alguns deste cães a quem chamo amigo até hoje, decidi parar para beber uma cerveja, fumar um cigarrinho e jogar um pouco de conversa fora.

A rodinha estava armada, todos sorriam e falavam muito, estavam devidamente acompanhados de suas respectivas namoradas. Menos uma garota que nunca tinha visto por ali e acompanhava a namorada de um dos meus amigos…

Se você tiver a oportunidade de fazer um tour pela cidade de Goiânia, notará que as grifes constroem roupas que classificam um ambiente… mesmo que sejam shorts, blusas, vestidos, camisetas das mesmas cores e moldes… tudo vai condizer em qualidade visual e material para ajudar a identificar a região da pessoa que está a trajar as peças.

Como vivo na periferia, é normal que consiga identificar um “conterrâneo”! Os shorts têm menos pano, as blusas são de um tecido mais fino, mais curtas e justas, uma qualidade de tecido frágil que demonstra as mais singelas saliências do corpo… resumindo… roupa de feira que qualquer dérreal paga o conjunto!

E esta nova cara que por ali surgiu para me salvar a noite, tinha economizado pra caceta porque na saia faltava muito pano para ser classificada como mini, tipo cinto largo. E a blusinha? Um pedaço de malha que nem lhe conseguiam cobrir os mamilos pela espessura frágil que deixavam os dois como uma sombra mirando o céu e dizendo boa noite. Nos dias de hoje poderíamos definir como uma piriguete… na minha época era piranha, quenga, puta, ‘facinha’… ainda bem que arranjaram um nome mais bonitinho!minhaFoto

Como bom goianiense que sou, voltar pra casa de mão abanando nunca é opção. Como o velho ditado roga, ao chegar numa festa notamos aquela menina feia sentada lá no cantinho e torcemos o bico mas, depois de meia dúzia de cervejas e nenhuma ameaça, você chega perto da mesma menina e diz: “Você não tava aqui no início da festa tava?” e lá vamos nós fazer mais uma feia feliz!minhaFoto (5)

Perguntei ao meu amigo se a desconhecida estava a espera de alguém ou se estava livre para o ataque… ele deu o sinal verde dizendo que estava solta como o arroz cristal… o que fez com que o meu garfo ficasse mais preparado ainda!Como-manter-seu-homem-feliz-300x225

Cheguei perto dela, lancei-me com meia dúzia de palavras lá estávamos nós a emaranhar as línguas como dois apaixonados! E como bom putanheiro que era, não querendo desperdiçar tempo lancei o antigão: aqui tá chato, vamos pra um lugar mais calmo? (eu juro que na minha época funcionava) e não é que deu certo?…

Entrou no carro comigo e como tava sem muita grana levei-a à porta da casa de um amigo que tinha uma enorme árvore e estacionei mesmo ali debaixo, no escurinho… saltei para o banco de trás puxando-a mais que depressa… img-203Ainda tive tempo de tirar a camisa e dar uns bons beijos até conseguir tirar a roupinha dela… quando tirei a minha… queria algum estímulo e puxei-lhe pela mão e quis que ela cumprimentasse o meu amiguinho… começasse a estimular o bixinho antes da ação verdadeira… ela fez o maior pouco caso… ficou ali coma mão parada… nem uma sacudida… a mão foi sorrateiramente fugindo mas eu busquei-a novamente na esperança de que ela tivesse pelo menos a gentileza de identificar o instrumento que a exploraria internamente em questão de minutos … nada.. ela fugiu com a mão novamente… Não gostei, porque ainda estava na esperança de ter algumas preliminares mas… fui em frente… alcancei um preservativo no porta luvas do carro, agasalhei o parque de diversão com muita segurança porque naquele tempo a AIDS vinha matando muitos famosos e eu não queria morrer omisso porque de famoso, só mesmo entre os cães do meu bairro! E lá fomos nós para a ação… não é pra difamar ou tentar denegrir a imagem da garota mas ela entendia muito bem da arte de dominar um pinto e quis demonstrar todas as suas habilidades naquele momento… Não cheguei a ter tempo para questionar como ou de que forma praticaríamos mas ela lá se virou… e foi virando e criando formas e formatos de se encaixar e rebolar, provocando o meu êxtase.

Terminamos aquela ação forte e intensa e, como quem se preocupa em passar pra hora seguinte e ver sua conta mais alta, rumei de volta a feira para “devolver” a garota às suas companhias. Aquela missão estava cumprida… Fomos e quando estávamos chegando na roda de amigos que continuavam ali a sorrir e a beber, nos separamos, ela foi pra um lado e eu pra outro… e então fui reparar na garota com um pouco mais de atenção, que não fosse na gana de devorá-la… Notei que onde fosse, ela estava sempre a segurar as mãos, mas de uma forma engraçada, como se andasse de um lado pro outro de mãos dadas com ela mesma…minhaFoto (3)

Chamei a atenção para o meu amigo para esta peculiaridade e ele falou com a maior naturalidade num tom meio sacana… é porque ela é “vinte e nove, trinta”…decepcionado-homem_2265307

Meu estado de espírito sumiu… não pela semi-paralisia em si, porque era como chamávamos, maldosamente, as pessoas com aquele tipo de defeito em que um dos lados da pessoa não tem comando e que desenvolve com algum tipo de retardamento daí o 29-30… como se um pé fosse maior que o outro ocasionando a mancadinha discreta… mas pelo fato de ser justamente a mãozinha deficiente a que eu insisti para que segurasse o meu amiguinho…

Lembrar daquela mãozinha se esgueirando sorrateiramente até cair no assento do carro e eu a buscando com afinco, na esperança de que ela preparasse os brócolis antes do prato principal. A minha mente praguejando e amaldiçoando aquela criatura por desdenhar da minha virilidade ou mesmo da minha intenção de uma leve punhetinha antes da foda e ela devia estar toda receosa de assumir que aquela “mãozinha” só conseguiria esbofetear minha cara, numa sequência muito ligeira tipo… MÃO BOBA para que eu desistisse… o remorso me tomou por completo. Eu só consegui enxergar o rumo do meu carro, baixei a cabeça e sai calmamente enquanto meu amigo dava altas gargalhadas e eu na minha longa caminhada, enquanto rezava para que a “mãozinha boba” não viesse atrás… estipulava uma forma de cumprimentar uma garota com as duas mãos antes de convidá-la a sair… pelo menos assim, saberia como reagir quando me negassem uma punheta… naquela noite, mudar de lado no assento do carro nunca passou pela minha cabeça mas hoje… é uma opção muito ponderada sob qualquer vestígio…